A minha segunda visita a Marrocos deixou-me dividida. Claro que a minha visão das férias está sempre manipulada pela vontade e pelos pensamentos positivos de me divertir e aproveitar ao máximo, logo, poderá haver alguma coisa má que eu considere aceitável e tolere bem só porque estou de férias. Outra coisa que pode manipular a minha opinião de Marrocos é o meu amor pelos países árabes, pela cultura, pela beleza e pelas tradições (com excepção óbvia do fanatismo e da tortura aos direitos humanos das mulheres e afins...). Por isso adoro Marrocos, a Tunísia e o Egipto mais que todos os outros países onde já estive. Não posso comparar nem a Tunísia nem Marrocos com o Egipto porque este será sempre um país a voltar, a adorar e a ter saudades.
Mas voltando a Marrocos... A primeira vez que lá estive era muito pequena e, talvez por isso, as coisas me parecessem diferentes. Achei tudo muito fora da minha realidade e então era fantástico. Agora percebo que o «fora da minha realidade» pode não ser assim tão fantástico e com a idade percebo também que muitas coisas não são fáceis de entender naquela gente. Continuo a não perceber porque são tão sujos, porque têm ruas tão degradadas, porque têm bichos mortos pendurados nas lojas, porque são tão agressivos, distantes e desconfiados nem porque as crianças e os velhinhos têm de estar sempre a pedir esmola. Tive a sorte de encontrar um guia turístico que, na viagem a Marrakech, nos mostrou vários pontos de vista em relação aos sítios que visitávamos. Marrakech tem tudo para ser uma cidade mística, bonita e limpa mas o povo continua a deixá-la suja, triste e perigosa. Apesar de não ter passado por nenhuma experiência desagradável em termos de segurança, tenho pena de perceber que não podia estar à vontade na Praça Djeema El-Fna e perceber que as cobras e os macacos que aqueles homens «encantavam» quando eu era pequena, não encantam nada nem ninguém. Mas, como disse no ínicio, apesar desta realidade, adorei Marrakech e não me importo de lá voltar a 3ª vez.
Agadir é o verdadeiro Algarve marroquino e não considero isto uma crítica. Em contraste com o interior do país, aqui encontram-se grandes hotéis e resorts de luxo, campos de golf e spas para agradar o turista com tudo de bom. Mas também Agadir tem a parte negra: o centro, o souk e a medina cheiram a pobreza e a ganância de ganhar dinheiro e manipular turistas. Os marroquinos continuam «peganhentos» que é como quem diz, chatos para nos obrigar a comprar coisas «muito baratas», no centro de Agadir sente-se que nos acham parvos e fáceis de manipular então chegam a ser mal educados. Já nos hotéis e nas praias chegam a ser exagerados com tanta simpatia e disponibilidade! A praia muito boa com a sua rede de separação entre turistas-povo (para não haver chatices) consegue compensar por tudo o resto: o mar quente, a areia fina, o tempo aceitável (maior parte da manhã encoberto, à tarde sol e muito calor). O hotel perfeito, com quartos enormes e tudo incluído desde que acordamos até que nos deitamos. Vê-se de tudo: alemães roxos a comer de manhã à noite, americanos gordos a beber de manhã à noite, franceses chiques à sombra a comer e a beber moderadamente e depois o povo da ganância que enchia o prato à camionista como se não houvesse amanhã (acho que neste grupo havia uma grande quantidade de tugas!). No hotel havia ainda uma grande área de jardins com lagos e árvores de flores que tornava a estadia muito bonita. Nos jardins andavam gatinhos do hotel muito simpáticos. Passámos 5 agradáveis dias neste hotel e nesta «confort zone» e 1 dia em Marrakech. Tudo acaba em stress com a espera de 9 horas no aeroporto de Agadir pelo voo da Sata, o belo do charter que é como a carreira de Alpendorada que leva de tudo a toda a hora e minuto e, obviamente, chega atrasada na última ronda. Vá, ofereceram um pão com queijo e tomate e um sumo de maçã para servir de jantar.
Balanço geral da viagem: bom, mas não sei se repito desta forma. Talvez volte com os filhos (como fez a minha mãe) mas desta vez em voo regular e numa excursão organizada por um oporador turístico um bocadinho melhor!



